Plano
de Governo
2017/2020
Política de ações
afirmativas para município de Taboão da Serra.
As disparidades extremas postas em evidência expressam precisamente a
exigência de medidas eqüitativas em beneficio da população afro-descendente,
visando a igualização de oportunidades de acesso a melhores empregos, educação
superior, serviços de saúde adequados, etc., pois os resultados das políticas
universalistas adotadas por vários governos apontam claramente que estas não
tiveram bom êxito em solucionar as desigualdades raciais. Nessa perspectiva,
não se pode pensar a política de ação afirmativa como sinônima de simples metas
de inclusão a serem alcançadas. Tampouco a deve ser vista como pura correção de
rota limitada a reduzir ou compensar as desigualdades sócio-econômicas. Tais
concepções tendem a desconsiderar a complexidade do racismo.
1- Criação
de uma Secretaria Municipal de Política de Promoção da Igualdade Racial;
2- Regularização
do Conselho dos Negros Consultivo, Deliberativo e Soberano de Promoção da
Igualdade racial;
3- Definição
de dotação orçamentária destinada a organizações que desenvolvem ações
afirmativas, projetos: Educacional, Culturais, Sociais e de Geração de Renda;
4- Inclusão
no Plano Plurianual, na Lei de Diretrizes Orçamentárias e na Lei Orçamentária
recursos para a implementação das metas aprovadas para Promoção da Igualdade
Racial, respeitada a legislação vigente. ;
5- Instituir
no calendário da cidade o dia 20 de novembro com feriado municipal “Dia da
Consciência Negra
6- Sistema
de cota para a população negra nos concursos públicos para funcionalismo e
Cargos comissionado.
Educação
O tema da educação sempre recebeu destaque tanto na atuação da militância negra como nos estudos acadêmicos sobre desigualdades raciais devido à sua inquestionável importância na compreensão e no enfrentamento das desigualdades sociais e raciais no país. Em geral a educação é considerada e analisada como atributo individual, capital primordial no processo de realização dos indivíduos. No entanto, a compreensão das desigualdades educacionais deve tratar a educação não somente dessa perspectiva, mas também como um processo de aquisição que agrega as políticas educacionais e as características institucionais no seu modelo analítico.
O tema da educação sempre recebeu destaque tanto na atuação da militância negra como nos estudos acadêmicos sobre desigualdades raciais devido à sua inquestionável importância na compreensão e no enfrentamento das desigualdades sociais e raciais no país. Em geral a educação é considerada e analisada como atributo individual, capital primordial no processo de realização dos indivíduos. No entanto, a compreensão das desigualdades educacionais deve tratar a educação não somente dessa perspectiva, mas também como um processo de aquisição que agrega as políticas educacionais e as características institucionais no seu modelo analítico.
Educação tem que ser
desmistificar e descolonizar na sua formação, o ensina da historia da áfrica e
a dos afro-brasileiros não devem ser escritas e estudadas em perspectiva
eurocêntrica, assim como a sabedorias enraizadas na experiência de ser africano
na diáspora, como a são originalmente os negros brasileiros não tem como ser
apreendida e compreendida separadamente das historia e cultura dos povos
africanos.
1- Criação de um núcleo ou
coordenação na secretaria, responsável por desenvolver ações especifica da
educação das relações étnicos raciais em consonância com as Leis 10.639/03 e
11.645/09, cujos membros sejam profissionais com histórico de experiência e
fundamentação sobre o tema nas escolas da rede municipal, com curso de formação
específico para atuação no campo das relações étnico-raciais, e história e
cultura afro- brasileira e africana;
2- Aquisição/produção de acervo
bibliográfico e audiovisual referente à História e Cultura Afro-Brasileira e
Africana e que contemplem visão não estereotipada acerca das religiões de
matriz africana, para todas as escolas das redes municipais, educação pública e
privada, assim como para as bibliotecas públicas que visem à aplicação da Lei
10.639/03 e Lei 11.645/08;
3- Implementação e aplicação da
Lei 11.769, de 18/08/08, projetos de extensão voltados para a educação
fundamental e básica pública de iniciação de arte e cultura (musica, teatro,
dança e Arte Visual) voltadas para a Cultura Africana e Afro-Brasileira;
4- Proporcionar a utilização dos
espaços públicos para o exercício de grupos de pesquisa e valorização da
história e cultura afro brasileira (musica capoeira, reforço escolar
planejamento familiar, culinária, cinema e etc.);
5- Criação do SOS racismo, para
defesa das populações marginalizada em função de atitudes racistas, discriminatórias
e preconceituosas;
6- Inclusão em todos os cadastros
do município o quesito raça/etnia e levantamento do pertencimento étnico
racial, a fim de possibilitar a formulação de políticas públicas mais adequadas
aos usuários dos serviços públicos, capacitando o funcionalismo para a coleta
desses dados;
7- Formulação e aprovação do
Plano Municipal de Promoção de Igualdade que contemple políticas públicas para:
desenvolvimento econômico, trabalho e renda, educação, saúde, segurança pública,
direitos humanos, religiosidade em matrizes africanas, dentre outras;
8- Criar um plano municipal para
eliminação do racismo institucional;
9- Implementação de uma proposta
pedagógica que tenha como eixos estruturantes raça, gênero e cidadania.
10- Construção junto com as
Unidades de Ensino das diretrizes, das metas, os objetivos e os resultados da
sua prática pedagógica.
11- Formação permanente do quadro
funcional das Unidades de Ensino, baseada nos princípios que orientam a
proposta pedagógica.
12- Realização de um diagnóstico
sobre alfabetização, letramento, evasão e repetência das escolas municipais,
com o corte de raça, gênero e faixa etária.
13- Promoção de uma jornada de
acompanhamento e avaliação dos resultados das ações implementadas para
minimizar os problemas mais graves apontados pelo diagnóstico.
14- Promoção de ações de formação
intelectual e política para as mães, pais e pessoas da comunidade, no horário
da noite, assim como atividades lúdicas, recreativa e de lazer para a
comunidade.
15- Apoio ao desenvolvimento de
projetos educacionais de iniciativa da sociedade civil, inclusive com o
provimento de estrutura física que permita atender as demandas da juventude
negra envolvidas nestes projetos.
16- Estabelecimento de um
programa de estágios para estudantes egressos de projetos educacionais da
sociedade civil, em setores relevantes da administração pública e em empresas
privadas.
17- Apoio ao desenvolvimento de
projetos educacionais de iniciativa da sociedade civil, inclusive com o
provimento de estrutura física que permita atender as demandas da juventude
negra envolvidas nestes projetos.
18- Estabelecimento de um
programa de estágios para estudantes egressos de projetos educacionais da
sociedade civil, em setores relevantes da administração pública e em empresas
privadas.
19- Política de Juventude
estimulando participação, mobilização, ampliação da escolaridade, enquanto
mecanismos que contribuem 22 para o ingresso no mercado de trabalho. O grupo
etário de 16 a 24 anos apresenta as mais altas taxas de desemprego.
20- Política Social no que tange
à oferta de equipamentos públicos. A ação da PMTS na construção e manutenção de
postos de saúde, escolas, equipamentos culturais, etc. gera diretamente postos
de trabalho na rede pública e, indiretamente, estimula outros setores via
compra de bens e serviços.
Cultura
A cultura será sempre a
resultante da dinâmica de um povo que se repensa e se refaz constantemente. Somente
a consciência da cultura enquanto processo contínuo possibilitará uma cidade
planejada a partir das riquezas e carências, semelhanças e diferenças da
população presente. É dessa perspectiva que concebemos a cultura da cidade,
negando o caráter cristalizador como, aparentemente, sempre foi pensada pelos
seus administradores.
Que os levantamentos e
mapeamentos elaborados pelo município sejam seguidos de ações afirmativos e que
haja participação da sociedade no direcionamento dessas políticas;
As obras que temos em
mãos faz significativo esforço no sentido de contribuir para construção de
diálogos que permitam a reeducação das relações étnico-raciais em nosso país.
1-
Apoiar e promover a produção de
conhecimento e a consolidação de saberes sobre o patrimônio cultural da
população negra e a reconstrução da memória afro-brasileira;
2-
Elaborar, promover e apoiar ações que
garantam a manutenção das expressões artística - culturais e práticas estéticas
de identidade tais como capoeira (angola e regional), oficio da samba e outros;
3-
Criar e implementar um plano de isenção
das taxas e impostos municipais que contemple entidades culturais sem fins
lucrativos, povos e comunidades tradicionais de identidade étnico-racial negra
e organizações do movimento social negro;
4-
Promover as ações transversais entre das
diversas manifestações artista e expressões culturais, efetivando
convergências, promovendo e preservando as culturas populares e tradicionais,
estimulando a inovação, apoiando linguagens culturais de menor alcance de
público assim como as de maior apelo popular.
5-
A cultura quando produzida e acessada na
comunidade estabelece relações de sociabilidade, fazendo com que a população
recupere as relações comunitárias, condição necessária para ampliação da
cidadania e para eficiência dos conselhos locais de segurança e mecanismos de
gestão publica participativa tais como.
6-
Mestre Griot: A valorização dos saberes
das pessoas de maior idade e a garantia de acesso aos bens culturais neste
período da vida é fundamental para o pleno exercício da cidadania.
7-
Disponibilizar internet gratuita wi-fi
em todas as praças públicas, espaços de lazer e órgãos da administração
municipal.
Economia
e Renda
1-
Que os gestores públicos tenham em suas
metas de mandato um compromisso com as reivindicações do Movimento Negro,
maneiras de se comprometer com a causa, principalmente o gestor (a) negro (a);
2-
Criar mecanismos de controle social e
formação para viabilizar nossa economia;
3-
Monitoração dos quadros da diversidade
dos empregados da empresas visando à equiparação salarial nas questões gênero,
raça e etnia;
4-
Criação de projetos de geração de renda
específicos para as comunidades tradicionais;
5-
Linha de crédito junto aos órgãos
financeira públicos (BNDS, CEF) para micros empresários, empreendedores,
recicladores, cooperativas, e outros com apoio de agente desenvolvimento;
6-
Criar um comitê de acompanhamento com
representantes da sociedade civil e governo para medir os impactos sociais dos
programas de políticas específicas para população negra;
7-
Participação de representantes das
comunidades tradicionais em todos os programas e liberações que visem à
discussão de políticas para o mercado de trabalho, bem como, geração de renda.
8-
Criar, através do Poder Público, ou
disponibilizar agentes de desenvolvimento para prestar assessoria gerencial
para pequenos ou micro empreendedores nos bairros ou comunidades;
Segurança
Publica
Estatísticas mostram que negros e
pardos são a maioria da população carcerária do Brasil. Vítimas freqüentes da
atuação violenta dos agentes responsáveis pela segurança pública, assim como da
atuação punitiva da autoridade judicial, a população negra enfrenta em seu
cotidiano discriminação e preconceito, apesar de uma crescente sensibilização e
adesão aos valores da igualdade e ao respeito às diferenças entre as pessoas
1- Criação
de mecanismos legais para capacitação/formação continuada obrigatória para toda
guarda municipal, acerca da violência, com recorte étnico- racial, de gênero,
de orientação sexual e identidade de gênero.
2- Criação,
pelo poder público municipal, de editais exclusivos que atendam projetos,
proposta e campanhas acerca da violência sofridas pelas populações negras e
indígenas; bem como o desenvolvimento de ações publicas de enfrentamento ao
genocídio da juventude negra;
3- Criação
de Centros de Referencia de Combate ao Racismo e outras forma de discriminação,
em locais de fácil acesso publico, dotados de quadro pessoal, equipamentos e
veículos adequados as atividades de sua competência;
4- Criação
de um programa de proteção ao jovem vitima de violência policial, para que os
mesmo possam denunciar a violência sofrida sem que seja alvo de represaria,
sendo este de gestão da sociedade civil organizada e financiado pelo poder
público;
5- Criação
do SOS Racismo, para defesa das populações marginalizadas em função de atitudes
racistas, discriminatórias e preconceituosas;
6- Efetivação
do cumprimento da isonomia legal entre as religiões de matriz africana e demais
religiões;
7- Promoção
da Igualdade Racial referende as propostas, com recorte étnico /racial,
aprovadas na I Conferência Estadual e Nacional de Políticas Públicas para
Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais LGBT.
Saúde
O debate sobre políticas de saúde para a população negra
começa a ser consolidado a partir dos anos de 1980, sob forte atuação do
movimento feminista, com as discussões acerca das especificidades raciais no
âmbito da saúde, em geral, e da saúde reprodutiva, em particular.
1- Atenção
à Saúde da População Negra e da Mulher Negra em particular, focando direitos
sexuais e direitos reprodutivos, combatendo a Violência Contra a Mulher;
2- Garantia
de que se cumpram as diretrizes do SUS, bem como os propósitos do texto
constitucional sobre saúde da população em geral, estabelecido como direito de
cidadania e dever do Estado, cujos benefícios terão impactos importantes sobre
a saúde da população negra e indígena;
3- Implantação
e implementação imediata da Política Nacional de Saúde Integral da População
Negra, conforme Portaria 992, de 13 de maio de 2009;
4- Implantação
imediata do Comitê Técnico de Saúde da População Negra, com coordenação por
profissional de carreira da Secretaria de Saúde, com vistas à implantação da
Política Nacional de Saúde Integral da População Negra;
5- Implantação
imediata do Programa Nacional de Anemia Falciforme, com a definição dos
serviços de assistência às pessoas com doença falciforme nos diversos níveis e
Secretarias;
6- Implantação
imediata do Programa Nacional de Anemia
7- Viabilização
de indicadores de saúde qualificada para os diferentes grupos através da
produção de dados e pesquisas, inserindo o "quesito cor", orientação
sexual, deficiência especial, em todos os sistemas de notificação de doenças e
agravos à saúde;
8- Formação
e sensibilização dos profissionais de saúde (em atividade e em formação) para
identificação, prevenção e tratamento de problemas de saúde específicos dos
diversos grupos populacionais;
9- Capacitação
de profissionais para a prevenção e o atendimento a situações de violência
doméstica e sexual com enfoque em direitos humanos, relações de gênero,
raça/etnia, classe, orientação sexual, identidade de gênero e de deficiente especial,
elegendo como áreas estratégicas: Sistema de Segurança Pública (polícia civil e
militar e guardas que atuam no município), e Saúde (profissionais nos
diferentes níveis de atenção e ênfase na atuação primária);
10- Implementação
de políticas voltadas à prevenção de problemas de saúde de populações
vulneráveis, pesquisando, combatendo e prevenindo, por exemplo, racismo
institucionalizado, desigualdades sócio-econômicas, problemas de segurança
pública, desigualdades no sistema previdenciário e outras condições que se
somam à predisposição genética na determinação das doenças predominantes em
grupos sociais específicos, especialmente negros e indígenas;
11- Adquiridas,
derivadas de condições socioeconômicas e educacionais desfavoráveis, assim como
da constante exposição ao racismo: alcoolismo, toxicomania, desnutrição,
mortalidade infantil mais elevada, abortos sépticos, anemia ferropriva,
DST/AIDS, doenças do trabalho e transtornos mentais.
Observação.
Este plano para governo municipal
de ações afirmativas para Africano afro brasileiro e outros grupos
descriminados “Educação, Cultura, Habitação, Meio Ambienta, Economia e Renda,
Religião africana e Matriz Africana, Brasileira, Segurança e Saúde” fundamentado
dos artigos 1º ao 5º, incisos e parágrafos da Constituição da Republica
Federativa do Brasil 1988. Baseada em experiência e pratica consolidada outros
municípios brasileiros, são propostas aberta a discussão dos coletivos e
movimento negros.
Numa democracia em processo de
consolidação como a do Brasil, é inadmissível a existência de desigualdades
sociais tão acentuadas. Como visto, a situação de marginalização a que se
encontram os negros, mulheres, deficientes físicos e homoafetivos não se
baseiam em retórica, mas em dados alarmantes.
Um país que tem como objetivo
fundamental a construção de uma sociedade livre, justa e solidária não pode se
esquivar de intervir diretamente nesses problemas sociais, deixando a
intitulada “mão invisível” resolver sozinha tais deformações. A visão liberal
de se abster em certos problemas sociais, priorizando os direitos e garantias
negativas, em detrimento a uma maior intervenção estatal, se mostrou frágil na
efetivação da justiça social. Há que se promover, de forma positiva, a busca
pelo bem-estar social, pela igualdade de fato.








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